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Literatura & Carne: Ensinando sobre produção animal

*Helen Fernanda Gomes

Nos últimos anos, temos visto nas redes sociais e na mídia, de maneira geral, um bombardeio de informações sendo divulgadas a fim de estimularem nossas crianças e adolescentes a diminuírem o consumo de carne e de produtos de origem animal como um todo. Nessas publicações, divulgadas sem critério científico, o produtor rural e a produção agropecuária são considerados vilões que levam a produção sem consciência à sustentabilidade e ao meio ambiente.

No entanto, nós vivemos hoje, a era da tecnologia e da informação...nunca na história foram feitos tantos progressos em todos os setores, nunca houveram tantas descobertas nas áreas de pesquisa e desenvolvimento e também nos sistemas de produção...com avanços nas técnicas de manejo e nutrição, sanidade e bem estar animal, como agora.

As instituições de pesquisa espalhadas pelo país, como as Universidades e Embrapas, tem feito descobertas incríveis nesses setores, permitindo uma evolução dentro dos sistemas de produção, que tem se tornado cada vez mais eficientes, garantindo aumento da produção, com sustentabilidade e responsabilidade.

Para confirmar isso, basta uma pesquisa rápida na internet para termos acesso a dados como da ABIEC (2019), que mostram que a produtividade da carne bovina aumentou em 169%, com aumento também na produção de carne em 128%, sem que isso impactasse no aumento do uso das terras, já que de acordo com a mesma fonte, o uso das pastagens recuou em 15,5%. E como isso é possível? Com implantação de tecnologia, que permite aumento na produtividade e eficiência dentro do sistema.

O desenvolvimento gerado está ligado também ao conhecimento cada vez mais profundo de cada uma das espécies criadas e suas peculiaridades, sendo cada vez mais importante a abordagem de temas como bem estar animal dentro das propriedades e também ligados às técnicas de abate. Hoje sabe-se que num sistema produção onde o animal seja atendido em suas demandas quanto ao bem estar animal, em todas as fases do sistema de produção, se torna mais eficiente e seus produtos tendem a apresentar melhor qualidade, principalmente quando se fala de qualidade de carne.

Mas apesar de tanta evolução, essa nova perspectiva de produção e informação, não chega para a população..., Mas porquê?

Principalmente, porque “nós” do agro fazemos pouco, sobre a divulgação de nossas ações e produtos. E muitas vezes, por termos um “pézinho” no campo, até hoje não percebemos a evolução, o crescimento da população e as mudanças pelas quais tem-se passado, principalmente nas cidades, que propiciaram de alguma forma o afastamento da maioria das pessoas, do campo e de suas origens ancestrais... e que hoje, o que antes era tido como óbvio, agora precisa ser dito e mostrado, e “nós” precisamos aprender a mostrar essa nova realidade do agro para as pessoas e principalmente para os jovens, para que conhecedores do novo, não possam ser facilmente influenciados pelas redes sociais.

Pensando dessa forma, precisamos estar atentos àquilo que é ensinado nas escolas e àquilo que é divulgado na mídia, para que a realidade possa ser apresentada em ambas as situações.

Hoje vemos informações nos livros escolares, por exemplo, que retratam sistemas de produção completamente ultrapassados e que não refletem de forma alguma aquilo que acontece na maioria dos sistemas de produção atuais. Por isso, vale ressaltarmos aqui, o bom trabalho desenvolvido pelo grupo “De olho no material escolar” e “Instituto Farmum”, por exemplo, e de alguns outros, dos quais também me incluo. Em que tem sido realizadas revisões nos materiais didáticos distribuídos pelo governo nas escolas, e em que os editores e alunos são convidados para vivências dentro de propriedades rurais reais, para desmistificar e mostrar quão evoluído o sistema está, e com isso permitir que possam retratar com mais veracidade nas apostilas, aquilo que foi visto no campo. Da mesma forma, deveria haver mais formas de apoio a projetos de divulgação que atuem nas escolas, como o que eu tenho realizado, levando para dentro das escolas conversas e discussões sobre temas tidos como mitos, como o desmatamento, queimadas, uso da água, consumo de carne, produção de metano e poluição...tudo isso com o objetivo de explicar, elucidar e responder aos questionamentos com informações técnicas de qualidade. Nessas visitas realizadas nas escolas, também são distribuídos livros, que abordam esses temas, com fundamentação científica, mas em linguagem simples, para que não apenas as crianças e jovens possam entender a realidade por trás de cada mito, mas que também possam ser mensageiros na divulgação dessas informações em suas casas e núcleos de convivência, mostrando que o consumo de carne e a produção animal, NÃO são, os vilões da história.

No mesmo raciocínio, deveria haver mais apoio a quem fala a verdade sobre o agro na mídia, para que todos possam ter acesso a essa informação e que não divulguemos apenas entre nós mesmo, em eventos científicos e do próprio setor.

Hoje, o consumidor é mais consciente e merece ter acesso a uma informação de qualidade sobre aquilo que adquire e consome. E nós como elos dessa cadeia de produção, devemos nos mobilizar nesse sentido e disponibilizarmos a informação que nosso cliente deseja receber. E que aqueles produtores que fazem um bom trabalho dentro de suas propriedades, que se atualizam e aplicam em seus sistemas de produção as técnicas mais atuais, e que oferecem ao seu consumidor um produto de melhor qualidade, com respeito ao bem estar animal, a sustentabilidade e ao planeta, possam ser valorizados.

null Helen Fernanda Barros Gomes Polizel, nascida e criada no interior de São Paulo, é zootecnista, formada pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, campus de Botucatu -SP, possui mestrado na área de Qualidade de Carne e Doutorado na área de Nutrição Animal, pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, campus de Jaboticabal-SP. Hoje é docente da Universidade Federal de Rondonópolis - MT. E, com a chegada dos filhos e a descoberta de um mundo novo, percebeu que poderia ajudar, se colocasse em histórias um pouco do cotidiano e do dia a dia com os filhos, tornou-se escritora, escrevendo sobre algumas fases, mostrando a importância do acolhimento e respeito para o correto desenvolvimento emocional das crianças, tendo lançado 3 livros com histórias infantis. Com incentivo de seu esposo Angelo Polizel Neto decidiu unir sua profissão à sua carreira de escritora, fazendo surgir histórias interessantes, para divulgar informações relevantes acerca da criação de animais, e produção de carne, mostrando que muito diferente do que se vê na mídia, a criação de bovinos, assim como o consumo de carne são imprescindíveis para a saúde dos seres humanos.