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EXPERIÊNCIA DE UMA ESTRANGEIRA NA CADEIA DA CARNE DO BRASIL | ASSUNTOS DIVERSOS |

*Ana Guerrero Barrado

Sim, é verdade que sou estrangeira de origem, mas brasileira de coração. Já se passaram mais de 7 anos desde que aterrissei pela primeira vez no Brasil, com o propósito de aumentar minha formação em bovinos de corte e qualidade de carne.

Eu não conseguia pensar em um lugar melhor para cumprir meu objetivo. Embora eu soubesse um pouco (de forma teórica) o quão forte é toda a cadeia da pecuária e da carne no país, ao chegar descobri pouco a pouco novas realidades e perspectivas diferentes daquelas que pensava.

Para começar, comprovei a diferença organoléptica (sabor, textura, maciez) da carne. Consequência direta da criação tradicional em sistemas extensivos de pastagem, diversidade de grupos genéticos, animais abatidos com idade mais avançada que o normal aqui na Europa e um hábito menor, em geral, de maturação do produto, realmente os primeiros dias foram um contraste.

Meu paladar não estava acostumado a um sabor mais forte e uma textura mais firme, mas o fato é que no Brasil em muitas ocasiões comer carne vai além de satisfazer a uma demanda nutricional (com este grupo alimentar tão completo), um “churrasco” vai além da produção, com forte componente social. Entendendo esse campo social sob dois aspectos, de um lado do campo da confraternização e união que ele gera entre seus próprios habitantes quando se reúnem em torno da desculpa de comer uma boa carne e passar o dia no churrasco.

E de outro, a grande relação social que sustenta a própria cadeia, que vai desde o produtor, a indústria da carne (frigorífico, distribuição, transformação), até chegar ao consumidor.

Sem dúvida, algumas das carnes mais saborosas (e até muito macias) que comi várias vezes por lá, no meu amado Brasil.

Há cada vez mais especialistas, profissionais, pesquisadores, comunicadores entre outros atuando na produção de carnes. Contando o seu trabalho com uma dupla finalidade, por um lado apoiar o produtor em possíveis estratégias de produção de carne que favoreçam a qualidade e a rentabilidade econômica e, por sua vez, satisfaçam um consumidor cada vez mais exigente e cada vez mais comprometida com as consequências ambientais, econômicas e sociais da produção e do consumo.

A educação sobre o mundo da carne, apesar de ser um assunto inevitavelmente polêmico muitas vezes por diversos setores, está em alta no mundo todo, e é claro que no Brasil não fica para trás.

Contando com cadeia de carne no Brasil com praticamente todos os elos / requisitos necessários, que constituem uma engrenagem, sem dúvida, potente e com muitas possibilidades. Entre eles espaço físico que pode permitir uma gestão sustentável da produção, sustentabilidade social para a sua manutenção e gestão, profissionais e especialistas envolvidos, uma evolução e divulgação dos meios técnicos e tecnológicos, um grande mercado nacional e internacional.

O que me leva a pensar que, sem dúvida, uma vez que a pandemia permita a criação de uma nova realidade, aprimorada, resiliente e adaptada, esperamos que passos largos possam ser dados no progresso para o estabelecimento de CARNES DE QUALIDADE.

null Médica Veterinária pela Universidade de Zaragoza – UNIZAR, Zaragoza – Espanha. Mestrado, Doutorado na área de Produção Animal - UNIZAR.  Especialista em Produção Animal e Ciência dos Alimentos. Pós-Doutorado pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (2013 - Programa Santander |  2014 - 2016 - Pesquisadora CNPq). Atualmente é professora na área Tecnologia, Higiene e Inspeção de Alimentos na Universidad Cardenal Herrera -  CEU Universities, Valência - Espanha.